Ritual de Primavera

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Hoje recebi um convite presente, celebrar a Primavera, ou como no hemisfério norte a festa da colheita, para nós, só a primavera.

Primeiramente, agradeço, não apenas a pessoa que me fez o convite, mas ao Sagrado Feminino, por ter recebido o convite.

Fui lá, rever, de meu querido Mestre Juan Saez, um texto, em seu livro de lugares de Poder, de um Megalito , de onde se vê a Deusa, uma composição de montanhas, que parece uma mulher nua deitada, lembra muito o desenho da Mohana, onde a ilha é uma deusa, deitada, que depois de reconhecida, pode então se levantar.

Porque fui buscar o livro, para ver se poderia ajudar a essa pessoa especial, que me fez o convite, com algo de especial, não há muita coisa , mas o principal:

“Ao princípio feminino, a deusa que há dentro de cada mulher” . Daí ele reconhece a própria esposa,  De cor rubi são seus abraços, dentro te senti; sigo seus passos.

Daí ele segue que nesse dolmen, (uma grutinha de pedra), que se você for turista, pode pensar assim, mas que era um templo , um local sagrado, com entrada , a ser procurada e achada, e o que esse local faz? Ativado, ele transmuta a energia de cósmica para terrena e de terrena para cósmica, assim como todos os Dolmens, mas esse tem a energia feminina.

Juan relata no livro, alguns prodígios que acontecem com mulheres, que tem algumas curas no seu feminino, quando frequentam esses lugares, devidamente guiadas e que não sejam como turistas, apenas vendo um montinho de pedras.

Tivemos o privilégio de estudar esse Dolmen, quando presente em seu curso, detectarmos todos os veios d’água, falhas que confluem para o local, sob o olhar e correção dura do mestre, mas amorosa. 

E pudemos sentir a ativação do Dolmén, essa inversão e ampliação da energia do local. Por isso imagino, aconteçam as curas, de problemas variados , cistos, miomas…

Mas, me aproveito aqui da homenagem dele, ao feminino: a deusa que há dentro de cada mulher. Quem me conhece , sabe que não faço apologia a separação, beneficiando um lado ou o outro, fazendo homenagens exageradas ao dia da mulher, porque o mundo só é mundo porque existe o masculino e o feminino, um não existe sem o outro. 

E cada ser está em equilíbrio, quando reconhece dentro de si, seu masculino e seu feminino, a parte sagrada de cada um , a parte a ser curada de cada um, estando curado é mais fácil reconhecer o que é masculino e o que é o feminino, do outro com respeito e amor.

Dei trabalho na formação de mentoria sistêmica, por este ser um ponto de muito querer entendimento. Então por isso aproveito o dia de hoje , para colocar o meu aprendizado ao longo dos tempos, dividindo ele com vocês.

O que é este feminino, e porque ele também representa a terra, porque ele faz e dá a materialidade, por isso nas constelações procuramos o trabalho com a relação com a mãe, e a força da ação com o pai. Assim como a terra nos dá o alimento, plantando tudo floresce e cresce, assim também foi o útero da tua mãe, tudo que você relaciona com a matéria, foi ele quem te deu, e se você nasceu perfeito, saudável, já deu certo. Tudo que vem depois é resto. Requer aprendizado de como estar nessa vida, como aceitar a vida que já temos. Às vezes percebemos tarde demais, que nosso tempo já passou, que quando estávamos naquela correria, naquele stress, o que estava passando era vida, que infelizmente, não pude ver com qualidade que a nossa passagem nessa terra merece. 

Então a pergunta que nesses tempos mais gosto, se não está bom para você, o que você precisa saber que ainda não sabe para dar o próximo passo. 

Como hoje é a entrada da primavera, vou me ater a falar apenas do feminino. 

Uma história que gosto de contar , e tenho o compromisso de contá-la uma vez ao ano, é a história medieval de Parsifal, o precursor do ser humano moderno. Ali vemos o que buscamos nas constelações, o arquétipo, de vários femininos, e do masculino servindo esse feminino.

Temos a jovem que é promissora, mas ainda não tem idade suficiente, então o cavaleiro , não pode ficar com ela, vemos o feminino guerreiro que luta junto com o masculino, por ter liberdade de ir e vir, não pode ficar junto com este masculino, e diz, se você quiser posso te ajudar, te defender, lutar junto com você, mas não posso ficar junto com você, pois eu me basto.

Temos muitas mães , mais velhas, que são a luz da sabedoria, temos a guardiã da Luz, só o feminino muito puro pode segurar o Graal, e ele só pode ser visto por aqueles que se comprometem com o Cristo, os olhos que não sabem disso ainda não veem. 

Sim , também temos o feminino enfeitiçado que corrompe o masculino, e daí surge uma saga a parte para que pelas mãos do masculino esse feminino seja libertado.

Temos o arquétipo do amor verdadeiro, não este que vem do abuso da palavra verdade de hoje em dia, aqui no blog, tenho um artigo falando da verdade e da mentira, mas amor verdadeiro porque é fiel a Verdade Maior, a única, e desse é que nascem nosso herói Parsifal, e da família que pode cuidar do Graal. 

Nessa história, o cavaleiro serve o feminino, para dele obter sabedoria, o relacionamento , pode não ser necessariamente um casamento, mas é um serviço, que em troca ele recebe sabedoria. Que sabedoria estamos falando, da sabedoria que vem do espírito

Também devemos lembrar que na Idade Média, o sentir era muito presente, então era muito mais óbvio do que pensamos hoje, e esse texto, não reflete o povo da época, mas uma história de alguns guardiões de uma sabedoria esquecida. E como é um precursor de um ser humano moderno, ele sai como um menino ingênuo de sua terra, e acaba como um homem , de verdade, que sabe se portar no mundo, alguns trazem esses contos medievais como algo sexual forte, mas pela visão espiritual, não é isso que vemos, em Parsifal e nos arquétipos masculinos de lá , como Galvão, e outros cavaleiros ilustres , essa é uma causa já resolvida para eles, ou seja eles estão num patamar de respeito ao feminino.

Mas, se lá no século 9 ao 12, ( a história se passa no século 9, os textos são do século 12), porque essa bagunça nos dias de hoje, a história é precursora, do ser humano moderno, então nos falta muito para chegar lá , até agora o mais aproximado que cheguei foi, assim que o homem aprendeu a dominar o metal, começou a dominar uns aos outros e se esqueceu do culto a terra, aquela que tudo dava, e começaram as guerras, porque eu posso tirar do outro aquilo que eu quero, e assim chegamos aos dias de hoje, necessitando fazer esse reaprendizado, da harmonia entre os seres e que há abundância como sempre houve.

Então sistemicamente, percebemos que são muito poucos os masculinos que servem ao feminino, aqueles que reconhecem , primeiro o útero que os gerou, depois os das suas esposas , que assumiram um risco de vida e de morte para trazerem seus filhos ao mundo, e que um não existe sem o outro, e que um homem, só é homem , nas palavras de Bert Hellinger, porque uma mulher o faz homem, e que a mulher só é mulher porque um homem a faz mulher, quando falamos de maternidade e paternidade.

Então respeitamos o nosso cônjuge, quando também sabemos respeitar nosso lado feminino e masculino, ou seja nosso pai e nossa mãe, quando não concordamos com eles , não podemos ser melhores do que eles.

Difícil ? Se fosse fácil todo mundo faria , mas é simples assim .

Então para o dia da primavera, voltamos nosso olhar para mãe terra, aquela que nos dá abundância, tudo de matéria que temos veio dela, não estou falando das posses, mas poderia, e sim de tudo o que você olha a sua volta.

O pão, sua matéria, e o vinho, fruto das uvas e as flores, a comunicação com o mundo espiritual, afinal seus aromas precisam chamar os polinizadores, as abelhas entre outros, do mundo que voa.

No futuro, quem conhecer a terra e como ela funciona terá muito valor, pois hoje temos uma desconexão crescente com a nossa Mãe maior. Então hoje é dia para ter mais Gratidão!!! Pronto está feito meu ritual a Primavera !!!  Depois dessa vou tomar um floral, porque ainda é cedo para uma taça de vinho!

E Viva a Terra!!!

 

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